4 de fevereiro de 2005

ZAPPING

Num canal, um programa antigo. Pediam a Maria da Graça (do"Páteo das Cantigas") que cantasse de novo, o seu maior sucesso. E do fundo dos anos 40, ela cantou. E nos seus olhos, o brilho da rapariga bonita e sedutora. E, ao mesmo tempo, o agradecimento por lhe permitirem, por minutos, voltar a ser ela, por inteiro.
Num mundo que nunca reconhece os que nos precederam.

1 de fevereiro de 2005

O QUE ESTÁ EM JOGO

A derrota esperada de Santana Lopes é um sinal de esperança; um indício que os portugueses que em 1975 não se deixaram acantonar num anacrónico Little Moscow ainda mexem. Talvez o país rasca de falsas tias, levanta-te e ri, pasquins de mexericos e cultura light, baixe a cabeça por uns tempos. Não desaparecerá, porque as ervas daninhas são resistentes. Mas, talvez por um momento, possamos acreditar que Portugal não foi todo entregue aos bichos.
2000 LÉGUAS SUBMARINAS

Hoje, com o Público, o meu livro favorito de Verne. Há uma altura na vida em que viajar num submarino de misteriosa tecnologia e alimentar-se de coisas igualmente misteriosas e que cresçam no fundo do mar faz toda a diferença. Não terá o prestígio do Proust, mas que me fez feliz releitura atrás de releitura, isso fez :)

31 de janeiro de 2005

NAS MÃOS

Há livros que mudam a nossa vida; há pessoas que mudam a nossa vida; há encontros que mudam tudo. Num programa de televisão, Lucia Sigalho contava como deixou de ser jornalista e passou a ser actriz: encontrou Agostinho da Silva. Foi entrevistá-lo e ao fim de 3 dias deu por si a passear por Lisboa a mudar o destino.
É como a canção do Sérgio "Ai eu estava quase morto no deserto e o porto aqui tão perto". Nas próprias mãos, na ocorrência.
S.LUÍS

É um dos teatros mais bonitos e confortáveis da cidade de Lisboa. O vermelho e o dourado predominam, clássicos. Há sítios que nos lembram que de vez em quando se constroem coisas bonitas.
O espectáculo musical "Cabeças no Ar" é simpático. As músicas familiares de Veloso e Gil, bem como as letras (iguais a si mesmas) de Carlos Tê, interessam a audiência. A coisa contada não é nada de especial: uma escola, uma data de rapaziada aos pulos sem saber se há estrelas no céu, um professor "fora" e por aí adiante. Mas funciona e as pessoas gostam. O que é bastante. A maioria dos actores canta bem e não se mexe mal. Destaque (se necessário fosse) para Marco de Almeida, o setôr, que tem uma rábula inicial bem conseguida. A ver.

ps: menos intesssante é o pessoal arrumador. Mesmo sabendo que é chato trabalhar ao sábado, ainda assim não é razão para a senhora que levava as pessoas ao lugar ser grosseira (além de ineficaz). Que eu visse, além de conduzir o público do 1º balcão da forma que a ela melhor convinha, fazendo levantar constantemente, toda a gente, ainda se manifestou em tom rude: "Mostre lá os bilhetes". A senhora visada, com os filhos, lá respondeu delicadamente, que estava onde a tinham colocado. Foi tudo empurrado sem cerimónia para um dos lados, para que o erro de bilheteira se recompusesse. Um teatro destes merecia não ter gente desta no seu interior.

29 de janeiro de 2005

LIBERDADE OU A MORTE

O cardeal polaco Antoni Stankiewicz lembrou a posição do Vaticano sobre os casamentos gays: são contra.
Em Portugal, membros da Opus Dei (durante um almoço de confraternização entre administradores do BCP e o seu homem no governo, Bagão) terão aplaudido a afirmação. Segundo consta, um homem de cabeleira loura e fato príncipe de Gales terá mesmo atravessado a sala gritando: "Casar para quê, se ser solteiro e bom rapaz é que dá votos...!".

27 de janeiro de 2005

ENVELHECER BEM

Os novos mais velhos lembrar-se-ão da tentativa de eleição de Freitas do Amaral à presidência da república. Além da derrota, ficou-nos a lembrança dos (ridículos) sobretudos verdes e que muita gente usou anos a fio (por razões económicas, suponho). Nesses tempos, poucas coisas sensatas dizia. Contudo, e ao contrário do que normalmente sucede, as suas ideias têm vindo a ficar mais sensatas com o tempo. Claro que os pps o classificam de "esquerdista", mas como habitualmente não possuem mais do que duas palavras no seu vocabulário "Tio" e "comuna", o uso do canhoto termo já é um progresso (em francês parece que sabem dizer "Deneuve" e "vichysoise", mas não contam).
Posto isto, e excluindo os deslizes da dramaturgia, pode-se dizer que o ex-líder do CDS tem envelhecio para melhor. Esperemos que o exemplo se repita, no futuro...
O FRIO
quando nasce é para todos. Livra!

22 de janeiro de 2005

BOAS NOTÍCIAS 2

Dou o dito por não dito no que se refere à eleição de Santana Lopes e dos seus rapazes-maravilha. A julgar pelas promessas que faz caso seja reeleito, tudo será diferente em 2005. Os impostos, a educação, a saúde! E mesmo as estatísticas que afirmam que o crescimento acontecido em 2004 se referem exclusivamente ao período anterior ao seu mandato, e que daí para a frente foi sempre a descer, poderão ser alteradas. Deve ser um problmema da Amostra...

BOAS NOTÍCIAS

Afinal fumar SG Ventil não faz mal! Ufa! Por momentos pensámos que até era capaz de ser prejudicial à saúde. Ainda bem que tudo se esclareceu.
TEATRO NO FEMININO

Está a decorrer na SPA, numa organização da companhia Escola de Mulheres, uma série de conferências, debates e leituras sobre teatro. Até domingo à noite. Em Lisboa, na av. Duque de Loulé, 31.

21 de janeiro de 2005

QUEM DORME COM QUEM

os jornais de mexericos interrogam-se. Cada um lá terá as suas preocupações. Mas que conste que existem pessoas mais preocupadas em saber quem dorme ao seu próprio lado.
PORTUGAL

sofre do problema de autoestima das comadres. Falam, falam, falam, falam... ficamos chateados? Pois ficamos!
TODO O TEMPO
é pouco para viver.

13 de janeiro de 2005

SANTANÉ E PRÍNCIPE

Lol, amigos: já nem vou dizer nada.
Num país em que a taróloga e abelha Maia vem de perna cruzada, sentar-se ao lado do macho-man Cláudio R. , mostrando-se feliz porque "finalmente" as "figuras públicas" começam a dar conferências de imprensa e a enviar press releases sempre que decidem divorciar-se, acredita-se em tudo. Até que o companheiro Santana pode ganhar porque a maioria dos portugueses (segundo as estatísticas) votam "na cor", independentemente do programa ou equipa.
Parece-me contudo, que qualquer pessoa do PSD que não tenha enlouquecido ou não sonhe ser capa da Caras, deveria considerar a hipótese de se abster. Ou Saramaguianamente, votar em branco. A não ser que achem possível viver num país onde a vergonha se esqueceu do nome da mãe.

12 de janeiro de 2005

PARIS 2

Numa sala do tamanho de um lenço de papel, 80 espectadores e 6 actores. A peça é da dupla Jean-Pierre Bacri, Agnès Jaoui (de quem está em exibição o filme "Comme une image", em Portugal).
Durante mais de uma hora esquecemo-nos de que estamos com as pernas encolhidas para não pisar os actores. O esquecimento advém da qualidade do texto e do trabalho irreprensível dos actores. Não me consta que tivessem necessidade de subsídio e as cadeiras e mesas com que nos convenceram eram muito semelhantes às que encontrámos no café ao lado. Também não percebi que se tratasse do que os nossos "independentes" chamam depreciativamente "Teatro comercial". Era teatro, eram bom, e voltaria na noite seguinte se não houvesse outra peça a ver.
Concluam o que quiserem.
PARIS

Ela está sempre lá, pronta a mostrar-nos o tamanho da nossa aldeia de origem. Somos hobbits, habituados a olhar o rabo dos cavalos que vivem entre nós e a tomá-los por gigantes importantes, os que olham o Sena e os barcos que passam por entre os edifícios monumentais. Ali a tacanhez que levamos agarrada às solas, dissolve-se por um momento. Percebe-se melhor que viver em Portugal não é viver entre os maus, apenas passar a vida na província, a almoçar com os primos. O que pode ser bom, se não esquecermos que existem coisas para lá dos muros da quintinha.
LE PURPLE JOURNAL

Comprei o número de Inverno da versão francesa, apenas pelo texto que também é capa:

"Dans cette période déxtrême médiocrité historique, de trhaison et de honte: Vivons! Acucueillons le chaos! Affirmons avec joie notre non-participation au monde tel qu'il se détruit! Adoptons la vitesse de la mélodie! Nw plaisons à personne! Aimons! Soupirons aux oreilles des trâitres! N'Apaartenons à rien! Chérissons nos amis américanis! Amusons-nous de la parade! Soyons le vent Soyons la pluie! N'ayons peur de rien! Vivons, car c'est officiel, nous sommes en train de mourir!"

Não poderia estar mais de acordo, ironia incluída.

6 de janeiro de 2005

A POESIA 2

Em resposta ao repto lançado, aqui fica uma poesia do Alexandre o'Neill, extraída do livro "Poemas da minha vida", do Urbano T. Rodrigues.

"POIS
O respeitoso membro de azevedo e silva
nunca perpenetrou nas intenções de elisa
que eram as melhores. Assim tudo ficou
em balbúrdias de língua cabriolas de mão

Assim tudo ficou até que não.

Azevedo e silva ao volante do mini
vê a elisa a ultrapassá-lo alguns anos depois
e pensa pensa com os seus travões
Ah cabra eram tão puras as minhas intenções.

E a elisa passa rindo dentura aos clarões."

:)
SERVIÇO PÚBICO

No outro dia julguei ter ido parar o Canal Memória: uma senhora de idade, parecida com a Olga Cardoso, falava simpática e anacronicamente com pessoas que escrevem em jornais ou apresentam notícias. Estava enganado, o programa era de 2005 e a apresentadora ainda está (por assim dizer) viva. Chamava-se o anacronismo "Clube de Jornalistas".
Lembrei-me, hoje, disso, ao ver a entrevista do director da 2, Manuel Falcão. O homem está contentíssimo com o que por lá se faz e com as franjas de audência que (de vez em quando) ali encalham. Cita o referido programa como exemplo de excelência...
Enfim, o pior cego é que não quer ver. Ou o que nos quer cegar a nós.